Milho transgênico contra toxinas
O que são micotoxinas? Micotoxinas são compostos tóxicos produzidos por diversos fungos que infectam grãos, ou alimentos produzidos a partir desses como farinhas, pães e rações para animais. As micotoxinas são consideradas carcinogênicas (podem causar alguns tipos de câncer), além disso, o consumo de alimentos contaminados com micotoxinas causa danos de distintos graus de severidade em órgãos internos, ao sistema nervoso e circulatório de animais que as consomem, podendo causar até a morte. Atualmente a preocupação com micotoxinas é tão grande que diversos países enviam representantes oficiais para acompanhar o embarque de grãos em países produtores e assim evitarem o ingresso de grãos contaminados no seu destino. As micotoxinas também fazem parte do arsenal de armas biológicas que potencialmente podem ser usadas em casos de bioterrorismo. Atualmente, o controle das micotoxicoses é feito através da detecção das micotoxinas e o descarte do alimento. Entretanto, a diversidade de compostos químicos que compõe as micotoxinas torna o processo complexo. Exemplo de micotoxinas importantes são as fumonisinas no milho, as aflatoxinas no milho e no amendoim, os tricotecenos no trigo e as ocratoxinas no café.
Como a produção de milho transgênico, que seja protegido contra insetos, pode ser eficaz na prevenção de micotoxinas?Os insetos, ao se alimentarem do milho, causam ferimentos aos grãos tanto na lavoura como no período que o milho fica armazenado após a colheita. Esses ferimentos são a “porta de entrada” para que os fungos invadam o grão. Caso as condições de umidade e temperatura sejam altas, ocorre um favorecimento ao crescimento do fungo no interior do grão. Esses focos de infecção produzem um grande número de estruturas do fungo, denominadas esporos, que após serem liberadas irão infectar mais grãos. Durante seu crescimento o fungo produz micotoxinas para facilitar a destruição do tecido vegetal. Portanto, impedir que a infecção fúngica se inicie a partir de ferimento causado por insetos é um método muito eficiente para controlar o acúmulo de micotoxinas. Atualmente, o uso de inseticidas é um método muito empregado para o controle dos insetos que atacam as plantas e os grãos. Porém, o uso desses produtos deveria ser minimizado ou evitado em função dos problemas ao meio ambiente e à saúde que decorrem de seu uso continuado.
O que exatamente o milho transgênico Bt produz que o milho comum não produz?O milho Bt produz uma proteína que é tóxica somente para determinados insetos. Existem variedades de milho Bt que produzem diferentes proteínas tóxicas. Algumas possuem ação contra lagartas que consomem as folhas da planta de milho. Outras são ativas contra larvas de besouros que atacam o caule da planta de milho. Essas pragas são responsáveis por perdas enormes para a produção do milho e praticamente obrigam os agricultores a usarem inseticidas, caso contrário eles perderiam toda sua produção. O milho Bt é uma alternativa importante pois ele diminui, ou até elimina, a necessidade de uso de inseticidas. Isto significa menor gasto de recursos para os produtores e alimento de melhor qualidade para o consumidor, sem contar que o meio ambiente fica preservado da contaminação com inseticidas.
Essa proteína tóxica não é nocivo aos homens e aos animais?Não, pois a proteína tóxica é inócua a todos organismos que não são alvos incluindo grupos de insetos que não se alimentam do milho, fungos, bactérias, animais e seres humanos, entre outros. Diversos estudos têm se dedicado a estudar os possíveis efeitos da toxina em organismos não alvo e os resultados das pesquisas indicam sua segurança. Isto se deve a grande especificidade da toxina, que exige condições muito restritas para sua atividade, que somente são encontradas no aparelho digestivo de determinados insetos como, por exemplo, a presença de receptores celulares. É importante também ressaltar que essas toxinas são originadas de uma bactéria denominada de Bacillus thuringiensis que é encontrada em quase todos os solos. Inseticidas naturais contendo essa bactéria são usados com segurança na agricultura há muito tempo. A diferença do uso de uma planta Bt e de um inseticida Bt é que na primeira o produto somente fica disponível para o inseto que consome a planta e no segundo, que usa a bactéria viva, outros insetos que não consomem o milho podem ser afetados. Portanto, o uso de milho Bt é até mais seguro que o inseticida natural.
É possível a produção de um milho que seja “agressivo” ao fungo produtor das micotoxinas?No caso do milho Bt a toxina é somente ativa contra o inseto e não contra o fungo. Porém, existem pesquisas em desenvolvimento que possibilitarão o uso de plantas resistentes aos fungos produtores de micotoxinas. Ou seja, mesmo que o dano pelo inseto ocorra, as plantas não acumularão micotoxinas. Essas variedades ainda não são disponíveis comercialmente, mas no futuro poderão ser alternativas importantes para o controle de micotoxinas. A existência de alternativas é sempre desejável, pois os microrganismos facilmente costumam desenvolver estratégias que impedem o funcionamento dos métodos de controle.
Na produção do milho Bt, que genes são introduzidos no vegetal?São introduzidos genes da bactéria Bacillus thuringiensis que já haviam sido identificados como responsáveis pela capacidade dessa bactéria em controlar insetos. Bacillus thuringiensis possui diversas “famílias” de genes que produzem toxinas. Uma dessas famílias de genes é denominada de Cry, que está presente em um grande número de variedades de milho transgênico cultivadas no mundo. Esse gene codifica uma proteína na planta que mata os insetos que consomem as folhas do milho.
As características nutricionais do milho se alteram por causa disso?As características nutricionais do milho convencional e do milho Bt são equivalentes, pois a única alteração que ocorre é a introdução do gene Bt. As variações nutricionais que ocorrem entre plantas de milho de uma mesma variedade são muito mais freqüentes em função da mudança de clima e do tipo de solo do que pela presença ou não de um determinado gene, como o Bt. Portanto, a opinião de algumas pessoas que os transgênicos alteram a qualidade nutricional não corresponde à realidade. Já foram realizados exaustivos estudos sobre a segurança alimentar em termos de toxicidade e alergenicidade da proteína Bt. Os grãos do milho Bt também foram submetidos a uma rigorosa avaliação de seu uso como alimento, além disso, esse milho vem sendo consumido há 10 anos em diversos países do mundo sem registro de problemas. Somente após estudos rigorosos uma variedade de milho Bt é liberada para plantio e uso na alimentação. Considera-se que nenhuma outra inovação tenha sido tão avaliada como o caso das plantas transgênicas. Felizmente, esse rigor na análise de segurança de produtos transgênicos tem levado a uma melhor compreensão sobre o a segurança alimentar. Possivelmente, no futuro, seremos igualmente exigentes quanto à presença de substâncias que realmente causam mal à saúde, como as micotoxinas.
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